domingo, 15 de junho de 2014

Os gols da Copa

Uma mentira contada mil vezes torna-se verdade. É este lema da propaganda nazista, ecoado por Goebbels na década de 1930, que devemos combater ao enfrentar o diálogo sobre o legado da Copa do Mundo.

 Mais de mil vezes se repete que os investimentos para o Mundial colidem com os necessários gastos nas áreas sociais. Que esses recursos fazem falta em hospitais ou escolas. Mas, ao analisar o orçamento federal, vemos que o argumento não prospera, apesar de ter ganho o status de verdade. Isso porque os investimentos em infra-estrutura não concorrem com os gastos em saúde e educação, todos importantes.

 Vamos aos dados. Para cada R$ 1 de investimento público, outros R$ 3,4 vieram do setor privado. Dos R$ 25 bilhões investidos, entre recursos públicos e privados, quase R$ 18 bilhões (72%) foram destinados a obras de infra-estrutura e melhoria de serviços, com destaque para transportes, portos, aeroportos, telecomunicações e setor de turismo. São recursos carimbados para a infra-estrutura em áreas importantes para a população, com ou sem Copa.

 É preciso tratar com honestidade o legado do Mundial. Ele não é composto só de aeroportos melhores e mais modernos, ou das obras que favorecem a mobilidade urbana. Passam pelo avanço da internet banda larga, a ampliação da rede de energia e o aperfeiçoamento da segurança.

 Esse conjunto de aportes gerou empregos em setores como construção civil, indústria de materiais de construção e eletroeletrônicos, além de impulsionar os serviços turísticos e o varejo.

 Os investimentos na agilidade e eficácia do deslocamento urbano atingem atualmente 40 empreendimentos sobre mobilidade espalhados pelo país. Ao fim das obras terão sido construídos ou aprimorados mais de 450 quilômetros de trilhos e corredores de transportes rodoviários pelas cinco regiões onde os jogos ocorrerão.

Da fibra óptica na Amazônia ao 4G nas grandes metrópoles, do surgimento de novos VLTs aos BRTs, do investimento em capacitação via Pronatec ao aumento da capacidade produtiva, do fomento ao esporte estudantil ao atleta de ponta, o país alia a oportunidade de sediar um evento de grande porte com crescimento econômico e social.

 É claro que há contrastes a serem observados neste caminho. Não podemos, nem devemos fechar os olhos para intervenções indevidas no espaço urbano que, em algumas áreas, foi apropriado por grandes corporações privadas. Da mesma forma é necessária visão crítica a processos de deslocamentos e remoções de grupos e comunidades sem ausculta e respeito às suas histórias no contexto das suas cidades.

 Mesmo com a necessidade de avançarmos em diversas análises, a Copa do Mundo, distante da campanha baixo astral que setores da mídia e de grupos políticos de oposição tentam instalar, se revela mais que uma tentativa de conquistar o sexto campeonato em casa. Um grande evento deve ser incorporado como algo benéfico à nação e tratado patrioticamente acima das disputas político-eleitorais. Devemos ser brasileiros altivos do nosso país e do nosso povo, principalmente quando os olhos do mundo estão voltados para nós.

Boa sorte, Brasil!

 Jandira Feghali
 Médica, deputada (RJ) e líder do PCdoB na Câmara dos Deputados

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